Um mundo melhor é possível: IMM completa 10 anos
Presente em 50 cidades e oito estados, o Instituto Mundo Melhor, com sede em Ponta Grossa, completa uma década de atuação em prol de uma sociedade mais digna e próspera.
05-07-2019 11:16Hs

 

Este ano, o Instituto Mundo Melhor (IMM) completa dez anos de existência, durante os quais levou capacitação profissional para comunidades em situação de vulnerabilidade social e preparou os jovens para o mercado de trabalho. As atividades, voltadas principalmente para crianças e adolescentes, são realizadas em conjunto com diversos parceiros e servem de apoio às políticas públicas desenvolvidas nas cidades onde o instituto atua. Dessa forma, o IMM contribui para o resgate da cidadania e para a elevação da qualidade de vida da população.


Na avaliação de Cirlei Pauliki, presidente do IMM, os resultados mostram que o instituto cumpre a sua missão de transformar a realidade social das cidades onde está presente. “A nossa maior conquista é perceber que, por meio das nossas ferramentas de trabalho, auxiliamos na transformação social dos grupos em que estamos inseridos”, observa ela, acrescentando que o impacto positivo deixado na sociedade é reconhecido pela população e pelos parceiros do IMM. “Hoje somos respeitados por todos os nossos colaboradores como uma entidade que consegue operacionalizar com muita responsabilidade as atividades a que se propõe”, comemora.


 

Início

Muito antes de ser fundado, em dezembro de 2009, o IMM já ocupava os pensamentos do presidente do Grupo MM, Jeroslau Pauliki, do então superintendente Marcio Pauliki e do consultor Orion Barbosa. A entidade surgiu como um braço social do grupo, que até hoje é a sua principal mantenedora, e tinha o objetivo de elevar a empregabilidade entre os jovens.


Na época, as pesquisas internas de satisfação identificaram três situações que deixavam os colaboradores desmotivados: (1) filhos desempregados; (2) adolescentes grávidas; e (3) a falta de creches para as crianças pequenas. “Nós desenvolvemos então um projeto interno e começamos a cuidar da família dos nossos colaboradores, oferecendo cursos de capacitação e facilitando a busca por colocação profissional”, lembra Marcio Pauliki, hoje vice-presidente do grupo. “O objetivo inicial era de elevar a qualidade de vida dos colaboradores, e, aos poucos, estendemos esse trabalho para toda a comunidade”, acrescenta.

 


Inspiração

O IMM nunca deixa de inspirar todos os que passam pelo comando da entidade. Para Cirlei Pauliki, cuja gestão se encerra este ano, o segredo do instituto é acreditar nas pessoas e ajudá-las a desenvolver todo o seu potencial. “Um mundo melhor não é só o faz de conta, é o que podemos construir agora, trabalhando em conjunto”, acredita ela, para quem o maior aprendizado consiste na coragem de enfrentar as dificuldades e provocar mudanças na sociedade.


Jeroslau Pauliki, que presidiu a entidade de 2014 a 2017, destaca que, por meio da união, é possível desenvolver e transformar realidades sociais. “Ao longo do tempo, pude perceber o quanto são importantes para o desenvolvimento social os projetos que criamos, e constatei que, por meio da união com os nossos vários parceiros, podemos fomentar grandes transformações sociais”, declara.


Na avaliação de José Eli Salamacha, que comandou o IMM de 2012 a 2013, o sucesso da entidade é fruto da união entre parceiros, associados e setor público. “Essa forma de agir, trabalhando em rede com os associados e parceiros, sempre em apoio às políticas públicas desenvolvidas nas cidades, é o que faz a diferença nos benefícios que o IMM leva para as comunidades onde atua”, aponta.


Márcio Pauliki, que esteve à frente da entidade de 2010 a 2011, defende que o IMM é um “retorno” que os empreendedores precisam dar à comunidade. “Não existe uma empresa de sucesso em uma sociedade falida”, afirma ele, mencionando ainda que o capital humano é o principal diferencial de uma empresa. “Os bons empresários sabem que só conseguirão se destacar no mercado se os seus colaboradores tiverem qualidade de vida”, relata.

 


Parcerias

O trabalho com parceiros é uma das marcas do IMM e uma das razões de seu sucesso. Recentemente, a entidade firmou um convênio com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para desenvolver projetos sociais e ações ligadas ao esporte, saúde e educação. A iniciativa tem como objetivo fortalecer o projeto UEPG Nos Bairros e ampliar os serviços oferecidos à comunidade.


Na visão de Carlos Zaremba, administrador da Coordenadoria de Desportos e Recreação (CDR) da universidade, as duas instituições se completam. “O IMM tem a estrutura e uma grande bagagem de atendimento social, e a UEPG tem a mão de obra qualificada”, analisa ele, ressaltando que a UEPG tem um portfólio de ações voltadas a crianças e adolescentes e que os acadêmicos vão se beneficiar da convivência com o terceiro setor.

 


Futuro

Em relação aos próximos passos da entidade, Cirlei adianta que, além da continuidade dos projetos em andamento, o IMM pretende apoiar as políticas públicas com novas iniciativas e ampliar a sua atuação para todo o território nacional. “Hoje existe a necessidade de se construir uma rede social e empresarial para que, de forma espontânea e não compulsória, atuemos a favor da população”, discursa ela, reforçando que o foco da entidade continuará a ser os projetos que beneficiem a juventude e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

 

 

Conheça os programas desenvolvidos pelo Instituto Mundo Melhor

Ao longo de dez anos, o IMM concretizou diversos programas voltados à preparação profissional de jovens e à formação contínua de agentes públicos e privados. Entre os que merecem destaque, estão o Jovem Mãe, Salas Virtuais, Expresso de Informática, Jovem Mundo Melhor e Escola Restaurativa.


A capacitação profissional é realizada por meio de um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), com mais de 150 cursos nas áreas de educação, saúde e bem-estar, informática, línguas, administração e empreendedorismo, e governança doméstica. A plataforma é fruto de uma parceria com a Woli Consultoria e Treinamento, de Araxá (MG), e os cursos são certificados academicamente pela faculdade Unopar de Ponta Grossa.


Wagner Freitas de Oliveira, sócio-diretor da Woli, explica que o AVA torna possível levar educação e informação às mais diversas comunidades e, desse modo, melhorar a realidade delas. “Se a tecnologia não serve para ajudar as pessoas, então não serve para nada. Nesse caso, ela está ajudando o IMM a transformar vidas em presídios, escolas e comunidades carentes”, indica.


Uma das principais forças por trás dos programas, a equipe técnica do IMM é formada pelo coordenador Orion Barbosa, pela pedagoga Érica Lemes Pereira e pela assistente social Fernanda Matos Celano.

 


Conheça a seguir alguns dos projetos do instituto:

Escola Restaurativa

O Escola Restaurativa é desenvolvido pelo IMM em parceria com o Núcleo Regional de Educação (NRE) e o Centro Judiciário de Soluções de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Ponta Grossa. O objetivo dele é oferecer ferramentas para que os conflitos no ambiente escolar sejam resolvidos por meio do diálogo e capacitar os professores em temas ligados à cultura da paz. No ano passado, cerca de 850 alunos de cinco escolas municipais foram atendidos. O projeto deverá ser estendido para outros colégios.


“O Escola Restaurativa revoluciona a convivência entre alunos e professores, trazendo o diálogo para essas relações. Os resultados aparecem cedo e demonstram toda a potência dessa ferramenta”, avalia a juíza Larissa Muniz, coordenadora do Cejusc. Segundo ela, o Colégio Estadual Professor João Ricardo Von Borell du Vernay estava no topo do ranking das escolas estaduais mais violentas de Ponta Grossa e, desde a implantação do projeto, parou de relatar novos casos de agressões. “Isso, por si só, mostra o quanto se pode transformar o ambiente escolar com baixo investimento, mas de alta qualidade e focado no ser humano”, assinala.

 


Jovem Mãe

Em 2018, a faculdade Pequeno Príncipe, de Curitiba, e o IMM capacitaram mais de 350 profissionais de saúde e assistência social que trabalham com adolescentes grávidas, por meio do programa Jovem Mãe. A iniciativa atende às prefeituras dos Campos Gerais e discute temas como acolhimento, humanização no atendimento, saúde na adolescência, autoestima e afetividade. As adolescentes grávidas são estimuladas a concluir os estudos e a buscar alternativas para completar a renda familiar.


Luiza Tatiana Forte, diretora de extensão da faculdade, diz que o Jovem Mãe é completo. “Ele trabalha de várias formas o processo de desenvolvimento dos jovens, e focaliza o conceito ampliado de saúde e de assistência, ensinando e preparando as adolescentes para a vida”, opina ela, frisando também o caráter preventivo do trabalho realizado. “A diversidade de temas e ações fortalece o sentimento de autonomia e pertença dessas jovens, afirmando a importância que elas têm no mundo”, acrescenta.

 


Jovem Mundo Melhor

Inserir jovens no mercado de trabalho, por meio de atividades presenciais e cursos à distância, é o objetivo do programa Jovem Mundo Melhor. São beneficiados os alunos egressos da Maratona Intelectual Olavo Alberto de Carvalho, realizada pelo Rotary Club de Ponta Grossa, e os jovens inscritos nos programas de estágio da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG). Em 2018, aproximadamente 2 mil jovens integraram o projeto, que também conta com a parceria do NRE.


Luciana Aquiles Sleutjes, chefe do NRE, sublinha que o programa estimula o comprometimento dos alunos com a própria formação. “A iniciativa contribui para que os estudantes criem vínculos mais sólidos com a escola, vejam sentido na aprendizagem e percebam as relações entre o conhecimento adquirido em sala de aula e a sua relação com o trabalho”, elucida ela, observando ainda que o IMM investe na formação de professores, pedagogos e gestores, com o objetivo de garantir uma maior aproximação da escola com a comunidade.

 


Expresso de Informática

O Expresso de Informática é um ônibus de inclusão digital e capacitação profissional equipado com 16 notebooks, internet 4G e acesso ao AVA. O veículo foi viabilizado pelo Rotary Club Lagoa Dourada, de Ponta Grossa, e pela Fundação Rotária Internacional. Apenas em 2018, mais de 4,2 mil pessoas foram atendidas.

 


Salas Virtuais

As Salas Virtuais consistem em sistemas de ensino a distância implantados em espaços governamentais, empresariais e de entidades sociais. Atualmente, o IMM conta com 66 unidades em diversos estados e municípios, uma delas em Moçambique, na África. O destaque fica por conta das unidades localizadas em ambientes prisionais, permitindo que os detentos tenham acesso aos cursos on-line. A cada 12 horas de treinamento, eles ganham um dia de remição da pena.


O diretor da Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG), Luiz Francisco da Silveira, chama a atenção para o caráter inovador do projeto e para a grande procura por vagas. “A iniciativa é referência na capacitação e recuperação do apenado. Um resultado sólido, funcional e que se harmoniza com os anseios da legislação”, afirma.


A implantação de Salas Virtuais em prisões teve um retorno tão positivo que a iniciativa foi levada pelo IMM para outros estados. Atualmente, a entidade está presente   em 19 penitenciárias nos estados do Paraná, Alagoas, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A agente penitenciária Andréa Rodrigues de Melo, gerente de Educação, Produção e Laborterapia de Alagoas, reconhece que a parceria com o IMM trouxe inúmeros benefícios. “Precisávamos de uma ferramenta que unisse qualidade no aprendizado, flexibilidade e diversidade, e a plataforma do IMM nos garantiu tudo isso”, conta.


A expansão para outros estados foi impulsionada pela parceria com a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Na visão do juiz federal Antônio Cesar Bochenek, o programa abre novos horizontes para o preso. “De nada adianta apenas retirar essas pessoas da sociedade, é preciso capacitá-las, dar-lhes a oportunidade de usar o conhecimento em alguma atividade lícita e não voltar mais para o sistema prisional”, defende. A parceria entre IMM e Ajufe já implantou seis Salas Virtuais em unidades prisionais e, em breve, serão levadas para as penitenciárias estaduais de Cascavel e Guarapuava.

Autor: Michelle de Geus
Fonte: Publicação na Revista D´Pontaponta