Mais de 700 cursos online são realizados nas penitenciárias

Em dois meses, o projeto alcançou números significativos em suas atividades online, totalizando 757 cursos realizados.

25/06/2020

Mais de 700 cursos online são realizados nas penitenciárias

Desde 2012, em parceria com SESP/DEPEN, o Instituto Mundo Melhor (IMM) disponibiliza cursos de iniciação e qualificação na modalidade a distância no sistema prisional. E, nos últimos dois meses, o projeto alcançou números significativos em suas atividades online, totalizando 757 cursos realizados.

Os cursos são ofertados nos estabelecimentos prisionais que possuem laboratórios de informática (telecentros ou salas virtuais). Segundo a responsável pelo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), Fernanda Matos, as unidades que estão realizando os cursos são aquelas que estão tomando todas as medidas de segurança e com o quadro efetivo completo.

Neste período, os locais que conquistaram os melhores números foram Casa de Custódia de Curitiba com 537 cursos, PCE (UP) com 76 cursos, Complexo Médico Penal com 75 cursos e Patronato Central do Estado do Paraná com 39 cursos. “Entendemos que é muito importante que os cursos continuem, principalmente, considerando que o tempo está correndo e eles precisam de atividades educacionais que contribuam para a ressocialização e para a preparação quando vierem a sair”, ressalta Fernanda.

A pedagoga que atua no setor de educação do Depen, Eliz Silvana de Freitas, explica que, desde o final de março e respeitando as orientações da Secretaria de Estado da Saúde – SESA e da Organização Mundial de Saúde – OMS, foram realizados cursos das mais variadas áreas, abrangendo: noções básicas de informática, gestão de negócios, noções de empregabilidade, saúde, idiomas, hotelaria, governança doméstica, entre outros. “Os cursos online oportunizam a aprendizagem, melhoram a ociosidade e consequentemente o comportamento das pessoas privadas de liberdade que veem no estudo uma forma de ampliar suas possibilidades de vida”, enfatiza. 

Para a presidente do IMM, Cirlei Simão Pauliki, é muito importante manter os projetos mesmo em momentos de desafios, pois isso demonstra que o Instituto continua realizando suas atividades através dos recursos que a tecnologia oferece. “A educação aliada ao mundo digital é essencial para que os apenados possam voltar a sociedade com qualificação, graduação e capacitação profissional”, garante.

Aliás, o setor de educação e capacitação do DEPEN criou uma grade agrupando os mais de 160 cursos por módulos, com temas afins e carga-horária de 12h a 60h. O intuito do projeto é que as pessoas privadas de liberdade possam se aperfeiçoar e utilizar o tempo de estudo para remir sua pena. “Esses cursos são de extrema importância, pois propiciam a flexibilidade de horário para serem realizados, oportunizando o acesso à educação as pessoas privadas de liberdade que estudam e (ou) trabalham”, realça Eliz.  

 

Direito à educação

A pedagoga lembra que a educação é um direito fundamental previsto na Constituição Federal de 1.988, em seu artigo 205, e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei 9.394/1996. Da mesma maneira que a oferta educacional voltada especificamente às pessoas privadas de liberdade também está prevista através da Lei de Execução Penal, Lei n. 7.210/1984, bem como no Plano Nacional de Educação.

As ofertas educacionais do Paraná ocorrem por meio de parcerias sociais, ou seja, sem custos ao estado e nem a pessoa privada de liberdade e (ou) sua família. “Todas as atividades educacionais no sistema prisional têm como função primordial o resgate da identidade, do conhecimento e da qualificação profissional, preparando essas pessoas para que, ao retornar a sociedade, encontrem maiores oportunidades de re(inserção) social, por meio do estudo e do trabalho”, finaliza Eliz.